É isso mesmo pessoas, eu não sou jornalista nem nada, mas fui convidado a escrever pra uma revista digital Uruguaia chamada Oxigeno, achei genial e aqui está...
Bom dia, boa tarde, boa noite a vocês que atentamente lê a Oxigêno. Eu gostaria muito que meu texto de estréia fosse divertido e com uma pitada de vigor juvenil sem parecer irresponsável, mas infelizmente não será assim, há a pitada de vigor juvenil, mas ao contrário do que gostaria é muito irresponsável. Eu moro em uma cidade relativamente pequena do estado de São Paulo, cuja capital, a sexta maior do mundo tem seu reconhecimento e sua influência mundial por sua economia, política, lazer e diversidade cultural. Tenho que confessar que a cidade é maravilhosa de sua parte histórica a sua parte moderna se é que há uma divisão - muita gente a chama de selva de pedra pela quantidade de arranha-céus em seu centro comercial. Mas no meio de toda essa beleza São Paulo carrega uma parte mais cinza do que as outras, não pela poluição exagerada das megalópoles, e sim pelo estado de miséria que se concentra ali, localizada na Estação da Luz essa área, chamada de Cracolândia, dizendo de forma literal “a terra do crack” uma droga terrível que rouba o usuário de sua realidade - eu penso aqui com a minha cabeça que é sempre o contrário, é sempre a droga que usa o individuo já que ele põe sua vida a girar em torno da química, com o crack não é diferente e sim ainda pior, ele leva o usuário a um estado deplorável, retira de sua família e dinheiro até seu ultimo pingo de dignidade, lava a pessoa pra um buraco onde a única coisa que resta é a dependência da droga, pois todo o resto ele já vendeu. Sim, já vendeu!
A região na década de 60 era chamada de “Boca do lixo” que já era problemática por sua marginalidade e que também foi um pólo cinematográfico, hoje abriga traficantes, prostitutas e uma quantidade enorme de usuários da droga que destrói o organismo a passos nada lentos, as pessoas dali não são passantes, são rostos habituais, são membros de famílias distintas que acabam por se encontrar com o mesmo final trágico de vida que vai para além do vício, a morte. O que me causa maior espanto é pensar que isso não acontece só em São Paulo, acontece também numa região de Vitória capital do Espirito Santo, em Brasília no Distrito Federal e também no nordeste do país onde o tráfico tende a prostituição o tráfico de menores entre outras coisas que tiram os humanos de seu foco, que é a vida plena, saudável e em abundância. As perguntas que vivem na minha mente de forma circular são: Por que estas pessoas se encontram (ou não se encontram) ali? Por que se entregam, apesar do esforço dos dirigentes governamentais e até mesmo organizações filantrópicas, cristãs e não cristãs, que dedicam tempo e dinheiro numa tentativa de devolver um pouco de lucidez aos olhos e ao corpo de tantos? Porque? Acredito não ter uma resposta para isso. Acredito que nem você tenha. Seria prepotência demais afirmar que tenho. Acredito também que não devo responsabilizar o Estado ou as próprias vítimas dessa barbárie. Acredito que sair a procura de um culpado agora, é a mesma coisa que nada. Mas também não acredito que nada deve ser feito, e apesar de saber que estou a cerca de 55km de distância desta realidade, esta me diminui como ser humano, afinal de contas, como diz um dos meus poemas favoritos, nenhum homem é uma ilha. Não fui e não sou a favor de qualquer tipo de altruísmo hipócrita por que este se rende as vistas da aprovação, só não quero que o mundo desabe em insensibilidade, não quero entregar pra minha filha, uma terra regada por indiferença e hostilidade, por isso entrego um pouco da esperança clichê, não de um mundo melhor, mas de pessoas melhores.
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